Esta é das minhas partes preferidas de tudo
isto: a recriação da Casa a que sempre me habituei, Casa-cheia, Casaberta. Na
casa da minha Mãe éramos cinco mais extras. Casa-caos, Casa-barulho, a mesa do
jantar sempre cheia, os amigos que ficavam a dormir, os que passavam sem
avisar, os “passa aí” à última da hora. Nada me definiu mais ou melhor do que
crescer nesta Casacheia – e agora, a minha Casa só o é se assim for.
Em Buenos Aires, vivemos quatro mas raramente
estamos sós. Por la duda, temos 3 colchões extra guardados, duas cópias de
chave e uma colecção de mapas da cidade que vamos emprestando consoante as
voltas. O safa-colchão, safa tecto e safa-noite viraram rotina, o calendário
improvisado atrás da porta ao lado das chaves (penduradas numa caixa de fruta pintada) tem as casinhas dos dias
assinaladas com as gentes que nos vêm enchendo de vida a sala.
E é claro que vez em quando sabe bem ter a sala livre de mochilas. Mas sabem-nos melhor estes gestos que viraram parte, quem vem desta vez?, descer a abrir a porta a caras novas com um sorriso, explicar num ápice a matemática da Cidade, chegar a casa e o sofá não chegar mas o chão sim, um copo de vinho, as histórias de uns e de outros e gargalhar noite fora com pessoas de ontem que se tornam íntimas sem processo.
Somos, de corpo e alma, perpétuos
estalajadeiros.
E o Vasco, o Emílio, o Adam, a Leonor e o João, a
Círia e o Nuno, a Inês, o Diogo, a Mariana e a Irina, o Malacas, a Padinha, a
Marta, o Henry, a Ana Bárbara e a Ana Paula, a Patrícia, a Marta e a Pink, a Andreia, a
Dina e a Sofia, o André e o Steps, o Dom e a Sofia, a Mireia, o João
e o Lua, a Inês e o Sérgio fazem parte das paredes e não deixaram uma marca mas é
como se tivessem deixado, porque a Casa tem este feitio de portaberta que se
deixa encher e preencher.
(Nós é que agradecemos).
Diário de bordo da Casacheia:
1 comentario:
E a culpada sou eu???
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