Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


lunes, 16 de diciembre de 2013

#8 Casacheia

Esta é das minhas partes preferidas de tudo isto: a recriação da Casa a que sempre me habituei, Casa-cheia, Casaberta. Na casa da minha Mãe éramos cinco mais extras. Casa-caos, Casa-barulho, a mesa do jantar sempre cheia, os amigos que ficavam a dormir, os que passavam sem avisar, os “passa aí” à última da hora. Nada me definiu mais ou melhor do que crescer nesta Casacheia – e agora, a minha Casa só o é se assim for.

Em Buenos Aires, vivemos quatro mas raramente estamos sós. Por la duda, temos 3 colchões extra guardados, duas cópias de chave e uma colecção de mapas da cidade que vamos emprestando consoante as voltas. O safa-colchão, safa tecto e safa-noite viraram rotina, o calendário improvisado atrás da porta ao lado das chaves (penduradas numa caixa de fruta pintada) tem as casinhas dos dias assinaladas com as gentes que nos vêm enchendo de vida a sala. 

E é claro que vez em quando sabe bem ter a sala livre de mochilas. Mas sabem-nos melhor estes gestos que viraram parte, quem vem desta vez?, descer a abrir a porta a caras novas com um sorriso, explicar num ápice a matemática da Cidade, chegar a casa e o sofá não chegar mas o chão sim, um copo de vinho, as histórias de uns e de outros e gargalhar noite fora com pessoas de ontem que se tornam íntimas sem processo.


Somos, de corpo e alma, perpétuos estalajadeiros.

E o Vasco, o Emílio, o Adam, a Leonor e o João, a Círia e o Nuno, a Inês, o Diogo, a Mariana e a Irina, o Malacas, a Padinha, a Marta, o Henry, a Ana Bárbara e a Ana Paula, a Patrícia, a Marta e a Pink, a Andreia, a Dina e a Sofia, o André e o Steps, o Dom e a Sofia, a Mireia, o João e o Lua, a Inês e o Sérgio fazem parte das paredes e não deixaram uma marca mas é como se tivessem deixado, porque a Casa tem este feitio de portaberta que se deixa encher e preencher.

(Nós é que agradecemos).

Diário de bordo da Casacheia:













1 comentario:

Anónimo dijo...

E a culpada sou eu???