Quero (cada vez) menos coisas e (cada vez) mais encontros.
Por mais um ano de manga madura mordida-devorada sem desperdício.
Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.
Há
dois anos e sete cambalhotas, parti
outra vez.
Atirei até logo à minha Buenos Aires Locura Capital, mas não parti
só
dela: parti-me
e me retomei
do avesso. Rio
de Janeiro agita
a garrafa e volta
a servir, em cores invertidas e
remasterizadas.
Samba
rafeiro, chinelo descomposto e
queimado de alcatrão ao sol,
dancei dancei. Sem
par e sem fim, dancei com os travestis da Lapa e com a morena de
Manaus que tinha o mesmo nome que eu. E
entre os travestis e a morena, os hippies cínicos e os turistas
sobrexcitados, e cachaça cachaça samba cachaça, Rio de Janeiro me
agitou o corpo e o pulso latente. Como uma lata de sementes numa roda
de samba, tsq-tsq-tsq-tsq.