(a 2 años de la partida a Rio y a tanto más)
Há
dois anos e sete cambalhotas, parti
outra vez.
Atirei até logo à minha Buenos Aires Locura Capital, mas não parti
só
dela: parti-me
e me retomei
do avesso. Rio
de Janeiro agita
a garrafa e volta
a servir, em cores invertidas e
remasterizadas.
Cabelo cortado queimado até à quase-raíz,
para me nascer de novo. A
água do Rio de Janeiro
cai
no pescoço e a cabeça que
se agita mais leve como um cachorro
de
rua.
Eu
era menina do chão e flutuava.
Samba
rafeiro, chinelo descomposto e
queimado de alcatrão ao sol,
dancei dancei. Sem
par e sem fim, dancei com os travestis da Lapa e com a morena de
Manaus que tinha o mesmo nome que eu. E
entre os travestis e a morena, os hippies cínicos e os turistas
sobrexcitados, e cachaça cachaça samba cachaça, Rio de Janeiro me
agitou o corpo e o pulso latente. Como uma lata de sementes numa roda
de samba, tsq-tsq-tsq-tsq.
Dinheiro
contado -quantos
almoços cabem numa mão de moedas?-,
as horas sem plano, saboreadas
de improviso e invento,
e o
tempo com
alguma dor mergulhado
em
tédio e solidão
gostosa com sabor a
açaí de dois reais e a
liberação. E
a liberação de me saber sozinha e sem freio, e
dancei dancei, e ri mais do que chorei.
Ah,
eu me Rio de Janeiro. Entornei-me e
fui expansão de mim.
E
tudo
mudou mas nada mudou. O
mesmo pulso (tambor), com mais vísceras e menos folhos.
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