Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


jueves, 29 de diciembre de 2016

Das (re)Soluções de fim de ano


Una se da cuenta das voltas
(suando encalorada na última estação do terceiro anel dos mais-doidos subúrbios de Buenos Aires Locura Capital)

quando percebe que há um ano estava no inverno de Lisboa, podre de grávida
e há dois metida num autocarro de-três-dias a caminho do verão do Rio, prestes a explodir

-e que nos entretantos foi recepcionista de hostel, finalista de mestrado, consultora de ong, produtora de teatro de rua, desocupada, frenética, casada, neurótica, viajante, parturiente e Mãe-

e sorri.

Quero mais um ano de decisões cruas e à flor da pele.
Quero mais vinho, mais rua, mais invento, mais samba, mais feiras.
Quero mais humor, mais amor, mais prazer, tempo para ler, quero mais fruta, areia no fundo do saco de pano e buracos nos sapatos.
Quero (cada vez) menos coisas e (cada vez) mais encontros.
Quero mais fome e matar sedes, quero dançar, oh! quero dançar sem parar.

Por mais um ano de manga madura mordida-devorada sem desperdício.

Tchim-tchim.


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