Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.
sábado, 9 de febrero de 2013
Falando de Casa...
Nem sempre corre mal, mas começa a parecer que sou filha do merceeiro da esquina.
Casa.
E ainda assim, chegar a casa já é chegar a Casa - e se a Casa era o Rodolfo onde quer que estivéssemos, a Casa é agora, também, este canto de Buenos Aires, o Vasco, o Adam, o sofá e as janelas abertas.
A intimidade que se vai ganhando entre tropeções "estou atrasado" e até logos atirados do corredor com a escova ainda nos dentes é aconchegante e familiar - sabemo-nos, creio, uns para os outros ao final do dia, mesmo que os finais dos dias não se cruzem.
Gosto deste momento da viagem em que me dou conta da Casa que surgiu sem dar por nada. Encosto-me nas pernas do Adam, e o Vasco conta as histórias do dia à janela enquanto o Rodolfo corta as paletes de supermercado apanhadas na rua, que servirão de estantes aos fura-vidas de Buenos Aires. Alguém disse que a ternura é pura nicotina, e eu me enterneço connosco quando nos juntamos no sofá-altar a partilhar um cigarro sem nos darmos conta de que estamos os quatro reunidos ao fim de uma semana em ebulição - pratos, cozinhas, hóspedes, quartos, currículos, gorjetas, contas, horas. Folga.
martes, 5 de febrero de 2013
Diz que ela
Notas relevantes:
- ele há jardim interior;
- ele há sol;
- ele há música escolhida todo o dia, tomada com maté e misturada com línguas várias e histórias que se ensinam aos de-fora, las callecitas Buenos Aires tienen ese, qué sé yo, viste?,
(é ver a vida ressuscitar com os ares de fevereiro, como as gentes e a cidade e os ânimos, que já moribundos iam).
sábado, 2 de febrero de 2013
Uno se da cuenta (do hemisfério)
Tudo isto por uma nesga de meio centímetro de janelaberta.