Além disso penso que quando tiver 14 anos vai achar-me uma inepta e eu vou gritar-lhe que ele nasceu de mim e que era o que mais faltava.
Não me sobram as horas, nem o sono, nem os tempos próprios. Tenho acessos de mau génio mais-que-nunca, não me tornei melhor pessoa nem mais doce, e o meu humor continua tão ácido como a minha (in)tolerância. Talvez mais.
E tenho saudades de uma cerveja fresca até ao fim do copo. Ou de uma noite de arrastada decadência noite-fora fora de horas sem hora para voltar. Ou de me reconhecer na primeira pessoa do singular. Ou de pintar as unhas.
Tenho melhor intenção do que energia para executar as promessas depois do sol, e cada balda que dou dói-me no corpo, porque sinto falta de alguns eus.
Mas entrei numa revolução que me desarrumou os tempos, os hábitos, os modos, as conjugações verbais. E eu nem quero entrar nos lugares comuns da vida-que-mudou e ai-agora-é-que-vale-a-pena. Eu até respiro de alívio à entrada de uma tarde livre, só para mim.
Mas a verdade confessada é que ao fim do dia já tenho saudades do sacana. Cai a noite, e desejo secretamente (vou lá agora assumi-lo em alta voz) que a noite dê a volta, a manhã se apresse e eu o vá encontrar enpijamado de pé na cama a abrir a porta com os olhos, à minha espera. Olhos de “Vieste!”
Vieste!
Sem vírgulas nem pausas nem tempo para estudar ou reescrever o manual – vieste e entrei imediatamente e às cegas em modo sobrevivência. 9 meses são pouco tempo preparatório para esta transformação em ninja mutante.
A nossa aventura é a maior revolução de todas – tu decidiste ser, e eu decidi ser mãe. Sem sabermos muito bem – os dois – como se faz isso exactamente. Mas cheios de pica e baldes de amor.
Hoje é dia das mães na nossa argentina. Vivam estas ninjas mutantes, e os heróis entregues às suas mãos sobreviventes. Viva eu e viva o Lorenzo, que no meio das nossas dicussões, vamos improvisando com alguma arte e não pouco engenho este verbo revolucionar.
Miúdo, para o ano já quero um cartão.