Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


lunes, 17 de octubre de 2016

Dia das Mães, Ninjas Mutantes


Eu e ele discutimos como gente grande. Ele grita e eu também. Não fazemos cerimónias nem disfarçamos os desagrados. 
Além disso penso que quando tiver 14 anos vai achar-me uma inepta e eu vou gritar-lhe que ele nasceu de mim e que era o que mais faltava.
Não me sobram as horas, nem o sono, nem os tempos próprios. Tenho acessos de mau génio mais-que-nunca, não me tornei melhor pessoa nem mais doce, e o meu humor continua tão ácido como a minha (in)tolerância. Talvez mais. 
tenho saudades de uma cerveja fresca até ao fim do copo. Ou de uma noite de arrastada decadência noite-fora fora de horas sem hora para voltar. Ou de me reconhecer na primeira pessoa do singular. Ou de pintar as unhas.
Tenho melhor intenção do que energia para executar as promessas depois do sol, e cada balda que dou dói-me no corpo, porque sinto falta de alguns eus.
Mas entrei numa revolução que me desarrumou os tempos, os hábitos, os modos, as conjugações verbais. E eu nem quero entrar nos lugares comuns da vida-que-mudou e ai-agora-é-que-vale-a-pena. Eu até respiro de alívio à entrada de uma tarde livre, só para mim.
Mas a verdade confessada é que ao fim do dia já tenho saudades do sacana. Cai a noite, e desejo secretamente (vou lá agora assumi-lo em alta voz) que a noite dê a volta, a manhã se apresse e eu o vá encontrar enpijamado de pé na cama a abrir a porta com os olhos, à minha espera. Olhos de “Vieste!”
Vieste!
Sem vírgulas nem pausas nem tempo para estudar ou reescrever o manual – vieste e entrei imediatamente e às cegas em modo sobrevivência. 9 meses são pouco tempo preparatório para esta transformação em ninja mutante.
A nossa aventura é a maior revolução de todas – tu decidiste ser, e eu decidi ser mãe. Sem sabermos muito bem – os dois – como se faz isso exactamente. Mas cheios de pica e baldes de amor.
Hoje é dia das mães na nossa argentina. Vivam estas ninjas mutantes, e os heróis entregues às suas mãos sobreviventes. Viva eu e viva o Lorenzo, que no meio das nossas dicussões, vamos improvisando com alguma arte e não pouco engenho este verbo revolucionar.
Miúdo, para o ano já quero um cartão.





Gracias - horas de múltiple personalidad

Lisboa, 14 de janeiro de 2016

Parada-agitada a la puerta de tantas puertas
(la de los 30 cumplidos mañana, la del turno por más corazón que papel en las manos, la de Lorenzo-revolución para siempre)

y en el medio de tantas bipolaridades, tantas horas locas de picos y bajones, con carcajadas excesivas y llantos sin explicación -qué?? no sé!!-, y miedos nuevos y viejas penas, con el exagero de siempre y los hombros pa cima (pa bajo) pa cima (pa bajo)

-.....
-aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!!!!-

(estoy hormonal che
gaseosa agitada histerico-lunar)

y vos al fondo, vos-abrazo siempre sin gesto de duda con ojos de paz
haciéndote cargo de mi luz en los días (horas) de múltiple personalidad, corto-circuito, exceso de watts

o todos los mencionados.

Gracias a la vida por tanta revolución,
Pero gracias a vos por el amor en forma de estrella y barco y luz.

Lorenzo

Lisboa, 26 de novembro, 2016.

Das decisões de lua cheia que tomam vida própria e se fazem carne e alma e sonho
Do verbo que se busca e se (re)inventa e se desgarra do peito em jeito pulso tambor
Do mar que nos corre nas veias, com areia e gaivotas e papagaios de papel
Não sou eu que te espero, mas tu que te esperas chegar

(7 meses de vertigem)