Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.
viernes, 9 de noviembre de 2012
Uno se da cuenta (das coordenadas)
(i) na quinta-feira está semi-desmaiado junto de duas ventoinhas em alta potência e abanando-se com revistas porno, pingando suores e derretendo humores; e
(ii) na sexta-feira tem de mergulhar na água da chuva até aos joelhos para poder atravessar a rua e chegar ao trabalho (onde a mandam para a cozinha porque parece saída do mar e não está apresentável).
miércoles, 7 de noviembre de 2012
Emigrante Espera (e não tem tido tempo para escrever porque trabalha 9 horas por dia)
Estado de espírito, de sítio e de necessidade, onde falta é a palavra de ordem.
Falta de papéis, de trabalho, de dinheiro, de casa, de Casa.
Mas apesar da expectativa, da espera que o alarme toque e que a vida comece, não nos podemos queixar: a Cidade é generosa. Os amigos dos amigos ajudam-nos com mãos, ideias e tectos - o chão dos primeiros dias, o colchão dos seguintes, a companhia na papelada, os contactos repescados, te lo averiguo, te quedás en mi casa, te acompaño a Migraciones, te hago circular el cv, te llamo.
Ao fim de um quase-mês porteño, eu tenho duas t-shirts apresentáveis e uma camisa, três conferências da Uba, duas experiências laborais no sector da cafetaria e restauração (já que estamos em contas, apenas uma chávena partida, e não foi mea culpa. ok, talvez um bocadinho. mas não foi grave.) e uma modesto-satisfatória soma em gorjetas.
Ao fim destes argentinos dias, o batalhão emigrado tem ainda um maté de couro, um colchão e um apartamento reservado, barato e bem localizado, com um quarto extra para alugar a estrangeiro, reduzindo a renda e permitindo-nos a sobrevivencia, e um outro sobrante que será dedicado a visitas, amigos, emigrantes, viajantes e demais almas (vinde, vinde!, mas trazei colchão, que não haverá dinheiro para feng shuis).
A primavera vai-se transformando em infernal verão, com 35 pesados graus e noites acordadas às 6 da manhã com o cabelo a fazer calor nas orelhas. As esplanadas enchem-se e o maté começa a ser insuportável. São onze da noite, e estou derretida de calor, janela-aberta, pés-no-chão, ventoinha no máximo.
E por isso, meus caros, vou para a varanda - que está aberta - comer um bom-bife. Enquanto espero.