Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.
miércoles, 20 de noviembre de 2013
Manifesto no. 1 (soy del sur)
lunes, 11 de noviembre de 2013
Buenos Aires: não é fome, é Gula
Mas já percebi. É que é mesmo difícil escrever o dia-a-dia, o alarme de todas as manhãs, banho, come, autocarro que aqui se diz colectivo (mas também já sabem disso), trabalho, ora bom ora tédio, casa. O cansaço das viagens a La Plata, as horas das aulas que ora enchem as medidas ora cansam apenas, o dominguinho de descanso, tão rápido, tão pouco, e as tentativas de reverter o tempo nos programas a meio da semana para fingir que não se tem uma rotina e a mesma dose q.b. de preguiça de outra vida qualquer.
Buenos Aires não cansa – nuncacansa - mas faz parte, já.
Já me habituei à distância, a estar longe, a falar em espanhol e a misturá-lo nas conversas até em português. “Me mataste!” faz mais sentido na história do que “ui!, não faço ideia” e “liiisto” sai mais rápido do que “ok, combinado, fico à tua espera”.
É um estado de coisa por definir: é como se fosse daqui, mas não sem espanto. É como se vivesse em Buenos Aires há uma vida e meia sem cansar. É como se tivesse todo o tempo do mundo, mas ainda assim quisesse todos os bocados.
É como uma taquicardia imperceptível. Não é fome, mas é gula.
Vou trabalhar. Tenho de preparar uma resposta escrita ao Estado boliviano sobre a identificação do corpo de uma vítima de sequestro, tortura e assassinato pela polícia, na época da ditadura. E é semi-surreal, mas é esta a minha vida de todas as horas. Em jeitinho de taquicardia imperceptível.