E ainda assim, chegar a casa já é chegar a Casa - e se a Casa era o Rodolfo onde quer que estivéssemos, a Casa é agora, também, este canto de Buenos Aires, o Vasco, o Adam, o sofá e as janelas abertas.
A intimidade que se vai ganhando entre tropeções "estou atrasado" e até logos atirados do corredor com a escova ainda nos dentes é aconchegante e familiar - sabemo-nos, creio, uns para os outros ao final do dia, mesmo que os finais dos dias não se cruzem.
Gosto deste momento da viagem em que me dou conta da Casa que surgiu sem dar por nada. Encosto-me nas pernas do Adam, e o Vasco conta as histórias do dia à janela enquanto o Rodolfo corta as paletes de supermercado apanhadas na rua, que servirão de estantes aos fura-vidas de Buenos Aires. Alguém disse que a ternura é pura nicotina, e eu me enterneço connosco quando nos juntamos no sofá-altar a partilhar um cigarro sem nos darmos conta de que estamos os quatro reunidos ao fim de uma semana em ebulição - pratos, cozinhas, hóspedes, quartos, currículos, gorjetas, contas, horas. Folga.
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