Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.
O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.
miércoles, 11 de diciembre de 2013
#4 Pekados (com k)
Um bar pequeno e carrascão de quinta categoria que podia estar à beira da Estrada Nacional 12. Luzes a dar para o roxo. Sofás duvidosos. Um gorila à porta a transbordar na t-shirt negra de elastina.
Entrei pela primeira vez no Pekados (com k) porque se chamava Pekados (com k) – quem é que resiste a isto???
O Pekados tem tudo para ser de susto. Está ao lado de um boliche da moda, do qual só beneficia com os restos mastigados dos não puderam entrar. O espaço não é giro, as bebidas não são boas, a fauna não é muito interessante. E o dj, que provavelmente é primo do chunga que gere o lugar, recorre à famosa técnica "play next" para passar de uma musica a outra. Há poucos lugares que se possam orgulhar de reunir tanta falta de categoria.
Mas o Pekados é de sonho. É o antro do qual não se faz grande alarido por vergonha na cara (onde é que nós costumamos ir sair? er... não sei, por aí, não temos nenhum lugar em especial) e ao qual não se levam quaisquer amigos porque se tem algum pudor em assumir que é ali que as noites acabam invariavelmente, dançadas sem hora nem pausa.
São as
cumbias batidas e popularuchas, os reggaetons de letras lascivas cantados de
memória, as brasileiradas foleiradas que assumimos como quase nossas. O
doisporum de um fernet de fraca figura até às três da manha, e o façameláofavor de encher só mais bocadinho.
E depois
– o melhor –,
soltar os ombros à entrada, os pés do chão, soltar o corpo das horas e dançar num desvario de cabeça perdida de boa disposição, deixar de pensar no trabalho, no dinheiro,
na saúde, na distancia. Sentir o sangue a fervilhar, a pulsar, ser puro
movimento e sorriso no escuro. Ter vontade de chorar e rir ao mesmo tempo mas dançando sempre,
misturar as nostalgias com a adrenalina de aqui estar, as solidões com as novas
descobertas. Ser puro instinto, puro corpo, puro gesto, sentir com o som, lembrar com o som, dançar de cor a batida familiar
de outras noites e de outras horas,
(que o melhor do mundo é dançar).
ir pekar é descarga e boa explosão, com as letras todas sabidas de cor. Abanar a bunda, menear la cintura, suplicar ao "dj" aquele reggaeton que ainda não passou - que a lista é quase sempre a mesma mas enche as medidas.
No final da noite, voltamos a pé e exaustos para Casa com os do
costume (só estes se deixam convencer a passar a noite no submundo), o corpo cansado mas satisfeito, a sensação de ter horas de diversão
pura a sair pelos puros. Pura joda. Tão
bom.
1 comentario:
Pekados com k é incrível!
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