Chegamos em outubro do ano passado, com uma
mãozinha à frente outratrás. A vida por definir, o estado de espírito em estado
de espera, estado de sítio e estado de necessidade. A casa de paredes vazias e
o eco da falta de Casa, ainda.
Começámos com um colchão velho e desbotado no
meio da sala, um par de cadeiras desengonçadas e garridas, a cama cai–cai que
até hoje não cedeu, dois pratos e os suficientes copos para ir brindando aos poucos a pouco construídos.
Cada mês um detalhe, e as paredes se foram enchendo e ganhando forma, ao jeitinho da Bica.
Não há os chapéus, os mapas antigos de viagem, os quadros e as velhas gravuras. Nem há a máquina de escrever, nem os xailes nem as memórias das viagens. Mas veio uma mala cheia de galos de barcelos e detalhes da portugalidade. E entre o improviso das estantes coloridas, as caixas de fruta de madeira velha recolhidas na rua ao cair da noite, o
calendário emocional do corredor, os recados em post-its, as parvoíces coladas nas portas e o hábito das flores que a Mariana nos trouxe, a casa se
foi construindo, poucapouco, e nós nela nos detalhes fomos encontrando canto e lugar.


No melhor da sempreterna Buenos Aires, a Casa Nascida Aospoucos, à nossa imagem e semelhança.
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