E era o adeus, que cheirava a sempre
e amor e tempo e solidão.
Da Cidade contemplada Nos bosques de
mate e horas Nos sapatos velhos do tango no coreto à noite (Ao lado do bairro chinês que cheira a
amêndoa e soja frita) E nas noites de malbec entornado pelas ruas que se percorriam
sem critério.
Do tempo que se comeu, remastigado em
imagens que se querem pendurar às
paredes
o calendário sentimental depois do corredor à esquerda
o gato malhado da Catedral
as cores do 59
e o Dante porteiro poeta que te
pergunta se já chegaste
enquanto te abre a porta
chegando.
as tardes de preguiça movidas a mate
amargo e as noites
de corpo puro e cachengue combustível
com suor
(desse tempo sem horas nem norte nem
nada
nas ruas geométricas matemáticas frenéticas
que correm e palpitam nas veias do
pulso selvagem que
quieto
corre, corre, corre).
As feiras nunca perdem encanto
Nem os domingos
Nem as puteadas
Nem tu, Cidade
(que não cansas, apesar da fúria
ou por causa dela).
A velha coqueta com excesso de baton.
A baldosa solta sobre uma poça de
água suja
(splash, ah mierda!).
O flaco que leva doze perros
E um caniche.
O kiosko e o bazar e o 152 a gemer
nas curvas.
As marchas e as bandeiras e a mão no
peito.
A garra, entrega, grito, canção, luta
no sangue peito das praças
(que a gente não cansa nem se cansa,
apesar da fúria ou por causa dela).
Os cigarros enrolados à janela, a beber as
horas sozinha,
E as garrafas abertas à janela, a empurrar as
horas do riso e do peito dividido.
Buenos Aires (eu) ébria (frenética) furiosa
em modo não-me-acabo (nunca),
ritmo tambor bomba de sangue que bate bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, Força Bruta.
Argentina-amor.
Não te vou nem te deixo nem te parto
Vens-me tatuada a fogo e tempo no
corpo
e jeito
e ser.
Mas vais ser agora também minha
saudade-sempre
Minha ex-mulher
Meu encontro solidão.
(E era a partida, que se sabia ponte e não porta,
ou janela ou pulmão aberto.)
1 comentario:
Linda sos.
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