Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


miércoles, 8 de julio de 2015

Revolução

Revolução. (Amor-revolução)

Dos mapas anotados (guias com asteriscos e post-its e notas de rodapé) às guinadas inesperadas de direcção
(...hacía el movimiento que el alma pidió de comer)
Por passos aleatórios que se sabem provocados
por casualidade, causalidade, vontade movida a pulso-verdade.
(...hacía la música que pidió bailar el corazón).
A cabeça explode, o peito explode, o corpo explode,
E o passo perde peso e corre em combustão
e arde fogo se queimar comendo todas as horas.
E o encontro se vuelve luz
E a vontade enorme e fácil
em formato de céu, tarde de sol ou preguiça de areia.
(Y vos
“yo te invito a bailar aquella danza, y vos verás si te
quedan los zapatos”
E tu sabes que não digo que não a um convite para dançar.
Que queden los zapatos. Yo voy.)

E quando no peito saltavam luas crescentes e velas ébrias incandescentes
E os pés se enroscavam como velhos conhecidos ou gatos pardos ao sol
(e as horas ardiam sem queimar, e eram luz pura e luna llena)
E quando desenhávamos com os dedos dos pés apontados ao tecto mais horas com mais luas e todos os passos que arderiam enquanto ardêssemos nós
E nos perdíamos de luz y de música y de vinho
E nos creíamos revolución amor luz libertad
Creábamos sin saber a maior revolução de todas.

- E agora?

- Lo mejor será que bailemos.
- Y que nos juzguen de locos, Señor Conejo?
- Usted conoce cuerdos felices?
Tiene razón, bailemos!!


1 comentario:

Xinha dijo...

Lindo lindo lindo :)