Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


martes, 19 de mayo de 2015

meu pulso (sempre) tambor

Quis – pensei – fechar esta janela e abrir outra. Começar de novo, a página em branco a saber bem brisa e salto. Fiz um caderno novo, que cosi com mais paciência do que pesos me custariam comprar um na esquina. Afiei todos os lápiz  e separei as canetas em número das que penso que vou tardar em perder, e em forma as que (escolhendo dedo-a-dedo) pensei que me namoram melhor a mão.

Pensei num termo  de abertura, destes  que gosto de escrever para fixar um propósito  em cima do qual subo os  pés  e me proponho navegar.

Pensei em começar do zero, mudar de pele, virar o ciclo, deitar fora o calendário e abrir (de par em par) portadas novas como pulso novo.

E depois  pensei  que não se começa nada de novo, que a página nunca está em branco, e que é  mais bonito – e mais puro e mais próprio – partir da pele que já está em mim. Iniciar o passo novo por cima dos dados passos. O meu pulso tambor batendo sobre os ares respirados inspirados ainda,  renovados  sempre sem nunca serem janela  que fecha, mas pulmão aberto (para) sempre.



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