Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


martes, 21 de abril de 2015

Formato Despedida: On

No meio das outras tempestades, achava que não ia chegar. Que pela primeira vez ia mudar de pele, virar o ciclo, deitar fora o calendário e estrear o caderno sem graves alterações de pulso.

Estava, obviamente, enganada.

Hoje entreguei o ultimo trabalho final do mestrado (!!), e com o botão “enviar email”, abri as comportas de dois anos e meio que-na-verdade-começaram-há-oito em formato despedida.
A casa começou a sussurrar-me todas as vozes que por aqui passaram, tchim-tchim, faz como se estivesses em tua casa, miau!, oh Chico demoras muito?, 3 2 1 mortos!, hoje jantam mais quatro, está tudo bem com a Metrogás?, e a cidade, as minhas vozes e mudanças de pele desde os 21 anos, Buenos Aires a sorrir-me maliciosamente, "achavas que te ias assim?", furiosamente melancólica, melancolicamente viva, eterno pulso latejante tambor, amor.

Buenos Aires, meu amor. Que aventura hermosa vivimos!

Esta janela sempre me foi canto e casa, mas nunca me comoveu tanto.


La putamadre.


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