Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


miércoles, 17 de octubre de 2012

Emigrantes

Não sei como contar o que vos passarei a comunicar...  
O Rodolfo disse-me, uma manhã; acho que temos de ir andando, e eu não posso negar certos espasmos histérico-ansiosos - mas já?mas como?mas de certeza? O peito saltou, o sangue ferveu, borboletas-como-dinossauros-em-ácidos no estômago. 
Escusava de me explicar, que os processos de recrutamento espreitavam já, que no verão não ia acontecer nada e que a emigração, dado assente, deveria ser encarada.

Ai ai ai ai ai, pensei eu em calças rotas e t-shirt de publicidade XL recortada em coisa maneirinha, o turbante na cabeça e uma pinta muito pouco civilizada para habitar cidade em modo sem-mochila!

A coisa já fervilhava e nos esperava e nos chamava. A coisa virou sereia urgente, e com urgências nos foi atirando iscos. A coisa estava aí.

E antecipámos a coisa.
Arrumámos a mochilas, contámos os pares de meias (eu tenho 3, e tu?), comprámos uns jeans de fraca qualidade e a bom preço para compor a figura, e fomos. A BUENOS AIRES, dios mio!

Caros: cheguei a Buenos Aires dia 11 de Outubro (nem de propósito!), a umas seis de manhã amanhecida com sol e mediaslunas. 
E ai!, por mais que me saibam, não se imagina a luz da minha cara! Nem a morada errada que levava da Paula, nem o facto de, entrenervos, lhe ter dito que chegava na sexta e não na quinta, nem nada, nada; o estado ansiolítico rapidamente se tornou em alma, vontade, sorriso pateta mirando la ciudad acabada de acordar. 

AQUI ESTOU. Para o que vier, retorno a esta maravilhosa cidade, para a viver e a gozar com mais tempo, mais calma, mais ânimo. Mais saudades de Casa, também, e por isso mesmo, mais certeza de que  vim bater a uma porta certa - pois se ainda assim, aqui quero estar.

Emigrantes, oficialmente.
Acho que acabei de desmaiar de nervoseuforia.

3 comentarios:

Anónimo dijo...

Acabo de sentir um aperto no estômago

Anónimo dijo...

QUAL APERTO, QUAL ESTOMAGO... A MIUDA ESTA NA MAIOR!
E O RODOLFO,CALADINHO, MAS TAMBÉM ESTÁ.
L.A

Anónimo dijo...

( shhhhh, não grite , mana!)
Aperto no estômago, sim, porque, oficialmente, são emigrantes a 12 000 Km de distância.