Rápidas.
O comboio a vapor a rasgar a cidade-alta em dois, empurrado pelos adeus de todo-homem. O assado na finca, a família-toda, e nós mordendo maçarocas de milho tiradas do carvão ao sol. O bando de musica animando a tarde de todo-colombiano - os ritmos novos, o vallenato, o porro, a cumbia, o fandango, os outros, e as timidezes despidas a dançar. A carripana que falhou no regresso e o frio dos oito bravos abraçados por necessidade na caixa aberta por três horas de estrada e de noite e de frio. Gargalhadíssimo, tudo.
E depois, comprámos o mapa de estradas da Colombia, partida, lagarta, fomos. Com um telemóvel barato no bolso desenrascado pela família Bravo, por si cualquier cosa.
Salento, e a praça ainda fresca na memória: as varandas coloniais, as madeiras velhas mas não gastas, as cores repintadas com boa intenção, o café fumegante e o Don Elías que apenas subtilmente acusa os anos que passaram, eu reconheço-o, ele reconhece-me, e a casa continua acolhedora, e a caminhada montanhacima custou tanto como dantes e não mais. Manizales salganhada de esculturas e livros e teatro e dança, terra-festivais compensando a graça que parece ter caído montanha-abaixo. Santa Fé chegada com a noite, a feira na praça - as praças são os corações palpitantes destas terras -, a imagem de uma Colombia afinal demarcada das paredes de concreto, os ombros descalços, os chapéus de ráfia, a aguardente, o café, as plantações, as cores, as varandas de madeira (velha, não gasta), as ventoinhas e as portas abertas à rua. O festival anual de fotografia, e a dormida desenrascada no piso de cima do salão de bilhar do pueblo, os velhos sábios e eu única-mulher, a música popular e o chocar das bolas de abrir o jogo, a banda sonora das noites no quarto sem tecto.
A chegada madrugada a Turbo, pueblo decadente e desbotado-colorido onde encontraríamos todas as peles que são mulatas e negras e azuis, e que todos riem e cantam e dançam falando e as miúdas são belas e as mulheres rebolam e gargalham, o café das cinco da manhã no carrinho da esquina com os restos humanos da noite de rumba, o porto de madeira e os albatrozes gigantes a fazer as vezes das gaivotas.
Aqui apanharíamos o barco e chegaríamos de uma subida norte acima, tomada com tempo e com gozo. A Capurganá.
4 comentarios:
Nós cá não dizemos concreto. Dizemos, com a mão sobre o peito (insuflado de orgulho), BETÃO. Dói-me que não sintas o mesmo.
Madrecita, habla de espacio...que no te entiendo. Continuas então a trezentos à hora?
Tu Madre
Maravilhosos viajantes e maravilhosas viagens, continua portanto o frenesim de vida.Lindo!
bjs
Mãe rivotti
Ah, esqueci, ainda as fotos, obrigada, nós tão confortados, aqui deste lado, vendo os meninos tão felizes.
Mãe rivotti
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