Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


domingo, 29 de marzo de 2020

Unicórnios nas escadas

Num dia, és a rainha do teu quintal. No dia seguinte, és abalroada por unicórnios. O unicórnios têm esta tendência para entrar no palco sem avisar. Factor surpresa é foda. Obrigam à reformulação de planos de contingência, e à contagem das conservas. Duas três, quatro. Ainda te sobram quatro vidas e três pacotes de arroz. Acho que estás safa. Não havia um recolher obrigatório? Falhaste o toque de retirada. 
Escrever para não esquecer, repetir para não cair. Faz-te de morta! Sê imortal! Esconde atrás dos foguetes de humor foge-foge, atordoa-os com essa velocidade de canguru em ácidos, lava outra vez as mãos, não olha nos olhos, nunca olha nos olhos porque os unicórnios são fodidos e adoráveis e cheiram o medo ao afeto.
Cuidado com o chão. Cuidado com as mãos. Cuidado com o pulso, que ainda dispara e depois não sabes onde é a saída de emergência (disparou já?).
Faz uma lista de planos B. Rasga. Repete. Rasga. Vais-te entregar. Afinal não. Já te viram. Dói-te a barriga. Falta-te o ar, as coordenadas e o autocontrolo, que para ti é tudo o mesmo.

Foste apanhada.

Achas que tens a pressão arterial baixa, e metes-te em taquicardias desnecessárias.

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