Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


miércoles, 4 de septiembre de 2013

Uno se da cuenta do tempo que corre

 e da vida que assobia nos carris, faixa da esquerda, quando percebe que:
1) não escreve desde 31 de maio e era só uma pausa de meias-semanas para estudar, mas o semestre dobrou e o inverno já chega ao fim;
2) percebe, (respira) contas-feitas, (respira) que saiu de casa de mochila às costas há coisa de 1 ano e 7 dias, descontados os fusos (e a gaveta do meio do armário ainda tem os tarecos variados para arrumar-depois e as paredes ainda meio-brancas vão, e a gata – que é mais Gata que Maria e mais Psst que Sur – já explorou todos os cantos da casa) 

mas Buenos Aires não pára de acontecer.

Uno também se apercebe que cada vez que agarra na caneta(salvoseja), lhe caiem as horas na conta, como cai uno en sí mismo, e as palavras ficam presas a essa surpresa banal de ver o tempo a passar e pensar que talvez fosse sendo tempo de deixar de pasmar com as paginas viradas no calendário porque já se sabe que é assim e não vai deixar de ser.

Buenos Aires é Casa desde 2007, mas viver-lhe a viragem do ano para dobrar as estações era coisa não vivida, e não deveria ser mais pesada no calendário?, sentir que já estou tão longe há tanto tempo e que a minha casa é esta e esta a minha vida?
Não sei se dos regressos a casa em modo até-já ou de levar entranhada a familia e os seus jeitos, a Lisboa e os seus tiques, mas não me sinto longe de casa na espuma dos dias, nem me parece distante a mesa de jantar da minha Mãe.

Entre a vertigem das horas e os direitos dos outros, tenho tendência para perder o fio à meada.

Mas Buenos Aires não me escorre entre os dedos, vem nos bolsos nos mercados de velharias, vem nos tacos dos tangos íntimos, nos matés preguiçosos (quien es el cebador?), nos copos de vinho dos ciclos de variedades dos domingos que se querem sábados e no caos - nesse caos onde é tanto o burburinho e o movimento e a vertigem –
                       e eu paro
 (no autocarro, que tem cores desbotadas e espelhinhos de feira e aveludados e néons)
                        eu paro

e não me perdi, a cidade está aí, e eu também.

1 comentario:

Anónimo dijo...

Tanto tempo, Tininha. Já lhe tinha perdido o hábito. Não desistas, até porque escrever exige prática.