Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


martes, 30 de abril de 2013

Buenos Aires devagar?, não, Buenos Aires em ácidos!

Tenho de parar mais vezes.
Chegar a casa, abrir as janelas, deixar a cidade entrar-me casa adentro e parar um bocadinho para perceber em que parte da 'viagem' estou.

Atirei-me - atirámo-nos - para este lado do mundo com uma legenda meio heróica, mas com os ânimos mais ligeiros do que epopeicos (enfim, o R é sempre um grego nas suas viagens, mas eu saltito com o coração, "uop!", vamos), e por isso, a noção da aventura vai-se misturando com as horas da rotina alucinada.

(A grande diferença é que esta rotina se supera todos os dias porque - emigrar à antiga tem o seu quê de romântico - cada ridiculo detalhe é gloriosa conquista e vale três hurras.)

"yey!, já temos copos suficientes para fazer um jantar" - ok, são de plástico mas são bonitos e servem -, "hurra!, temos um termo para levar o maté à rua!" - ah!, afinal não tem tampa...-, "rejubilemos!, habemus máquina de lavar roupa!!" - mas não demasiado, que ela é em 4.ª mão e a torneira não veda e o programa é antigo

De repente, viramos para Maio e é preciso parar e fazer contas: 8 meses desde que partimos, eu passei por dois aventais e uma recepção, o R lavou pratos e agora sai de manhã engravatado, a nossa casa parece mais uma Casa, 8 boas alminhas dormiram no chão desta sala, o Papa é argentino, a rainha holandesa também (e por mais anti-monarquicos, anti-vaticanistas e anti-sistema que os argentinos sejam, o orgulho patriótico fala mais alto nestes assuntos), o R diz "xo me xamo", "ceboxa" e "plaxa", o A tem cortinas no quarto (que eu bainhei por ser pobre e mão de vaca), tenho o visto quase-definitivo, o inverno está a chegar, comecei as ansiadasaulas há 2 meses. Voltámos ao tango!

 

 Tenho de parar mais vezes. Acontece tudo demasiado rápido e não quero perder pitada!!

1 comentario:

Anónimo dijo...

Já tinhamos saudades. Tens de parar mais vezes, também para deixar esta gente cá deste lado espreitar um bocadinho por essa janela.
MFA