Às vezes pergunto-me se é de mim (esquizo-histerinesgotável em estado estimulado) ou da vida que me acontece (estimulo-frenética em modo não-me-acabo-nunca). Há um ritmo tambor bomba de sangue que bate-bate sem parar aqui dentro, um pulso bombo, um passo largo, passo besta, força bruta.

O fim da viagem é apenas o começo doutra. É preciso ver o que nao foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na Primavera o que se vira no Verão, ver de dia o que se viu de noite, com sol onde primeiramente a chuva caía, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aquí não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados para os repetir, e traçar caminos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre. O viajante volta já. Saramago. Viagem a Portugal.


jueves, 23 de agosto de 2012

termo de abertura (bis)

Manda a tradição das minhas palavras fazer o devido Termo de Abertura de quaisquer ares expirados em público. Desta vez, sem apresentações nem memoriais nem créditos - parto inclinada para a frente, como fosse o primeiro passo, o virgem, o inaugural. Deixando uma porta, claro está – que é esta (bis).
As partidas têm sempre o seu peso, e esta parece pesadíssima – porque é mais velha, é mais séria, é mais comprometida e significa demasiadas coisas. Mas o fio da meada é simples: despedi-me e dei dois passos. O primeiro é este, e antecede o regresso a Buenos Aires e à universidade (que é, para os duros de contas, o segundo). Bis: volto a pisar a terra que me move o passo (sem injustiças nem ingratidões, que Lisboa me move o coração), esperançosa de não o ter desaprendido (três anos numa secretária podem causar artroses e achaques vários). Vou por uns tempos e volto já. Sou um frasco agitado de saudades com gás: consome-me de um lado a falta dos sotaques e das estradas e das cores e dos cheiros; aperta-me de outro a falta antecipada do que deixo (um instante, um instantinho só, que já volto), da minha família, as minhas gentes e os meus lugares. Custa-me tanto partir quanto deixar de o fazer.
Mas se navegar é preciso, navegarei. Não tenho muitos planos mas borbulho em vontade efervescente, tenho curiosidades pendentes, um casamento pelo meio, e uma fome dolorosa de américa e de jornada, alimentada com o tempo que, entretanto, correu.
Levo comigo os meus, e como meus também os seus amores, as suas dores e as suas alegrias, como sempre, da melhor maneira que posso, agarrados ao que sou. Aqui fica a porta de atalho dos meus.
Inspiro fundo (o primeiro fôlego, também) e vou. 
Por luas e sóis e mundos a haver, mas para já, para já, para Bogotá.
Vamos a isso - até já!

3 comentarios:

Martim dijo...

Oh yeah! mais um blog para relembrar os velhos tempos de aventura!!!!
Estranho nao te ver durante tanto tempo, mas é a vida (dizem).
Daqui alguma inveja dessa tua viagem e saudades dessa tua pessoa!
Que tudo corra bem e nao te esquecas que eu existo noutro ponto qualquer do planeta Terra.
Beijolins
Martim

José Alegre dijo...

Epa que bom!!

luisinha dijo...

tinha de ser
MarMon, o 1º

Vá num pé e venha no outro
L.A.